Beco da Leitura: Especial John Green

John Green é um escritor norte-americano que ficou conhecido mundialmente principalmente por causa do livro “A Culpa é das Estrelas”. Além de autor de livros para jovens adultos (o gênero young adult), ele também é vlogger e coleciona milhões de seguidores no seu canal no YouTube e sua conta no Twitter.

Não preciso ficar falando aqui sobre como John Green é uma máquina de vender livros (quatro dos seus seis livros são best-sellers). Mas é sempre bom ressaltar a importância dele na formação de jovens leitores. Independe de apreciar ou não o trabalho dele, não se pode negar que seus livros tocam muitas pessoas e possivelmente incentiva muitos a continuar com o hábito da leitura.

Depois do blá blá blá, vamos ao que interessa. Vou falar um pouquinho sobre os livros do John Green que eu já li. Escolhi fazer a resenha de todos juntos para facilitar minha análise, já que tracei um paralelo entre as obras. Leiam com o coração aberto, pois sei que minha opinião é diferente da maioria.

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Livros lidos (na ordem):
A Culpa é das Estrelas
O Teorema Katherine
Quem é você, Alasca?
Cidades de Papel

A Culpa é das Estrelas

DSC05349Nota no Skoob: 4,5

Minha nota: 5!

Sinopse (se você vive em outro mundo e não saiba ainda rs): Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

Opinião da leitora: Eu li ACEDE no dia 09/10/2012. Sim, em um dia. Não preciso nem dizer que amei, né? Eu paquerava o livro há um tempinho até que comprei. Ele já era famoso por aí, mas eu não conhecia ninguém que tivesse lido, então comecei a leitura sem saber o que esperar. Fui pega de surpresa. O livro me arrebatou totalmente. Fiquei encantada com a história e a narrativa me prendeu tanto que não consegui largar até chegar na última página. As lágrimas, que já vem com facilidade pra mim, foram inevitáveis. Virou favorito na mesma hora.

Fiquei tão apaixonada por esse livro que acho que fui com sede demais ao pote na hora de ler os outros. Mesmo entendendo que não tem como comparar, nenhum dos outros livros conseguiu me tocar como ACEDE.

O Teorema Katherine

DSC05351Nota no Skoob: 3,9

Minha nota: 3,5

Iniciado em: 14/04/2013

Terminado em: 28/04/2013

Sinopse: Após seu mais recente e traumático pé na bunda – o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine – Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.
Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

Opinião da leitora: Durante essa viagem, Colin e seu melhor amigo Hassan resolvem parar num determinado lugar e acabam conhecendo a Lindsey. A partir daí que a história começa de verdade.

Confesso que foi um baque perceber o quanto OTK era diferente de ACEDE. Mas levei numa boa e li de coração aberto. Esperava me interessar mais pela parte matemática do livro, mas ela não me cativou muito. Vou falar do Colin e da Lindsey mais abaixo, aqui quero falar do Hassan. Era para ele ser o personagem coadjuvante engraçado. Apesar de muitos acharem ele é hilário, eu não vi muita graça no que ele dizia. Na verdade ele até me incomodou um pouco. Apesar disso, gostei do livro.

Quem é você, Alasca?

DSC05352Nota no Skoob: 4,3

Minha nota: 3

Iniciado em: 06/01/2014

Terminado em: 09/01/2014

Sinopse: Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o “Grande Talvez”. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao “Grande Talvez”.

Opinião da leitora: Esse livro é dividido em duas partes. Antes e depois de um determinado acontecimento que impacta a vida dos personagens. O antes serviu para apresentar os personagens. O depois é que mostra o objetivo do livro.

A reflexão que o autor propõe é boa, mas não me pegou em cheio. Não me identifiquei nem simpatizei muito com os personagens. Em uma passagem ou outra eu senti empatia, mas só. Nenhum deles me cativou (Coronel foi o que mais me agradou). Essa falta de empatia na maior parte do tempo fez com que eu achasse a primeira parte meio chata e monótona. A segunda parte foi mais interessante, mas só porque queria “desvendar o mistério”.

Em suma, é um livro legalzinho, com algumas frases bem legais, mas que poderia ser bem melhor (pra mim) se os personagens fossem mais carismáticos.

Melhores frases:

“Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia.” (pág. 55)

“Simplesmente usamos o futuro para fugir do presente.” (pág. 56)

“Sabe quem você ama, Gordo? Você ama a garota que faz você rir, que vê filmes pornográficos e bebe com você. Mas não a garota tristonha, mal-humorada, maluca.
E ela tinha razão.” (pág. 98)

“Buda diz que o sofrimento é causado pelo desejo e que a suspensão do desejo implica a suspensão do sofrimento. Se pararmos de desejar que as coisas perdurem, não iremos sofrer quando elas desmoronarem.” (pág. 201)

Cidades de Papel

DSC05350Nota no Skoob: 4,1

Minha nota: 3,5

Iniciado em: 05/03/2014

Terminado em: 10/01/2014

Sinopse: Em Cidades de papel, Quentin Jacobsen nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman desde a infância. Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola e ele é só mais um dos nerds de sua turma.
Certa noite, Margo invade a vida de Quentin pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola, esperançoso de que tudo mude depois daquela madrugada e ela decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia, nem no outro, nem no seguinte.
Quando descobre que o paradeiro dela é agora um mistério, Quentin logo encontra pistas deixadas por ela e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava que conhecia.

Opinião da leitora: As minhas opiniões sobre CDP estão aí embaixo na análise geral das obras.

Analisando as obras

DSC05346O primeiro livro do John Green que eu li foi “A Culpa É das Estrelas”, quando eu não conhecia ninguém que tivesse lido nada dele. Me apaixonei, recomendei para Deus e o mundo.
Fui ler os outros livros dele um ano depois. Primeiro foi “O Teorema Katherine”, depois “Quem É Você, Alasca?” e por último “Cidades de Papel”.
Podem dizer que criei muitas expectativas. Que procurava um novo ACEDE. No início pode ter sido, mas depois de duas decepções, não comecei a ler CDP com esse pensamento.

Acho que ACEDE foi um livro a parte. Não por achar excepcional (amei o livro, mas não é essa questão), mas porque ele é bem diferente dos outros três.
A Hazel e o Gus são personagens que são fáceis de você gostar. Isso não aconteceu comigo em relação aos outros livros.

Acabei gostando mais de Cidades de Papel que dos outros dois, mas percebi como eles são bem mais parecidos entre si do que com ACEDE.
Os três protagonistas são bem parecidos, meio nerds, com amigos que costumam ser mais carismáticos que eles. Os três se apaixonam por garotas que são meio problemáticas. Os três livros seguem mais ou menos a mesma fórmula. Fora a linguagem que me incomodou bastante nesses três e não em ACEDE.
Ou seja, esses três tem um universo bem diferente de ACEDE. Por isso vou traçar um paralelo entre eles e excluir ACEDE dessa análise.

Sobre os protagonistas:
Difícil dizer qual deles é o mais chato, de verdade. Miles, Quentin e Colin são bem chatinhos. Acho que consigo gostar mais do Colin do que dos outros dois. As coisas que o Miles e o Quentin fazem por causa da paixão obsessiva pelas respectivas garotas me incomodam demais.

Sobre o pano de fundo:
Não tenho dúvidas de que o maior obstáculo de OTK foi o pano de fundo usando a matemática. O que para muitos foi a parte mais chata, para mim foi a isca. Me atraí por esse livro por causa disso. Mas confesso que a execução chegou a ser enfadonha.
O desenrolar de QEVA e de CDP só me prendeu por causa do “mistério” que ambos guardavam. Enquanto QEVA propunha um desenrolar mais reflexivo, CDP foi mais despretencioso. Como eu disse lá em cima, QEVA não pegou, e por isso, achei CDP mais legal.

Sobre a mensagem:
A mensagem que o John Green quis passar em QEVA é boa e melhor desenvolvida que as outras. A mensagem de CDP também é boa, mas acho que ela não foi muito bem desenvolvida. Ficou superficial. Já em OTK eu nem consegui identificar a mensagem direito. De longe é o mais “bobinho” dos três.

Sobre a garota:
De muito longe Lindsey é a mais legal das meninas. Dela eu gostei de verdade. Consegui torcer por ela. Na verdade, acho que é dela todos os méritos de OTK. Porque se dependesse do Colin e do Hassan, eu teria achado o livro bem chatinho.
Alasca e Margo para mim são duas garotas extremamente egoístas, pedantes, chatas e até babacas às vezes. E o que mais irritou é que NINGUÉM falava para elas umas verdades. Apenas encaravam as duas como deusas, o que só piorava esse comportamento e encoraja os leitores a tomar atitudes irresponsáveis. Posso ser insensível, mas para mim as duas faziam drama demais. E se não era drama, era caso de tratamento, o que ninguém nem se preocupou em recomendar.

Resumindo:
O pano de fundo de OTK acho que é o mais chato, mas em compensação, a “heroína” é a mais legal. A proposta de mensagem de QEVA acho que é a melhor, mas não consegui suportar a própria Alasca. Já em CDP, a Margo me irritou quase tanto quanto a Alasca, mas o livro é mais divertido.

Ranking:
1- A Culpa é das Estrelas (disparado!)
2- Cidades de Papel (desempate pela trama que prendeu mais)
3- O Teorema Katherine (salvo pela Lindsey)
4- Quem é você, Alasca? (e a culpa é sua, Alasca, por estar em quarto!)

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Comentários

3 comments

  1. israel Hilario da Silva says:

    Não leio JG, e, pelos comentários, não iria me entusiasmar muito pela linha seguida pelo autor. Mas gostei da sua narrativa sobre as obras do autor.

  2. Juliana says:

    Só li o ACEDE e me derramei em lágrimas! Gostei muito dos personagens, do texto e de como ele trata o tema. Mas estranhamente não me interessei de imediato por ler outras obras do autor… haha

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