Conto sem nome

Coloridas luzes intermitentes iluminam o ambiente lotado. Ao som remixado do DJ, eles dançam perto do bar. O gelo seco quase impede a visão. Ele se aproxima. Ela esquiva a cabeça.

– Por que não?
– Eu não posso.
– Não pode?
– Posso…
– Não quer?
– Você não pode.
– Eu quero.
– Parece conversa de bêbado.
– Eu não to bêbado.
– Você bebeu um pouco.
– Eu tô consciente.
– Não quero que você se arrependa.

Ela dá um beijo no rosto dele e sorri. Ele segura a mão dela e a guia até o grupo.

As batidas da música eletrônica cedem o lugar à melodia romântica. Todos começam a formar pares. Ele olha para ela. Ela esboça um riso. Ele a puxa para dançar. A cabeça dela encosta no peito dele.

– É quase o destino.
– Você é tão bobo.
– Você que é boba.
– Você sabe que eu não tenho culpa.
– Não sou eu que não quero.
– Nem eu.
– Eu não vou me arrepender.
– Mas eu vou.

Ele dá um beijo no alto da cabeça dela. Ela fecha os olhos e suspira.

A música para. Ela abre os olhos. Ele sorri para ela. Com os olhos marejados, ela o fita.

– Me dá um abraço.
– Com todo o prazer.

Eles olham ao redor. A fumaça se dissipa. As luzes coloridas são substituídas por luzes incandescentes. O vazio toma conta do ambiente.

– Você é linda.
– Para com isso…
– Não resisto.
– Eu tento.
– E agora?
– Isso fica entre nós.
– Essa situação é muito difícil.
– Também acho. Mas quem disse que a vida é fácil?

Eles trocam olhares, sorrisos. E a vida segue.

 

Escrito em 2010.

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