Resenha: Por que os homens amam as mulheres poderosas? – Sherry Argov

poderosas2Este livro me causou um misto de sentimentos. A premissa da autora é muito boa, mas algumas partes do desenvolvimento me causaram um leve revirar de olhos. Pelo menos serviu para que eu refletisse bastante sobre o tema e acho que gera uma boa discussão.

A ideia principal é que os homens amam as mulheres poderosas porque elas se amam. Para explicar como isso funciona, a autora divide as mulheres em dois tipos: as boazinhas e as poderosas. As boazinhas fazem de tudo para conquistar o homem, se esforçam demais, deixam de viver a própria vida e quando não recebem a mesma dedicação em troca, elas reclamam. Os homens fogem delas. As poderosas são independentes, não se submetem a nada que seja prejudicial para conquistar alguém e não mudam suas programações por eles. As poderosas têm amor próprio. Os homens correm atrás delas.

Até aí eu concordo com o livro. Apesar de ser muito difícil para quem está acostuma a ser boazinha, devemos nos colocar em primeiro lugar, respeitar nossa essência e não fazer do outro o Sol do nosso sistema solar. Já dizia a sábia Cristina Yang: “He’s very dreamy, but he’s not the sun. You are the sun”. A prioridade da sua vida deve ser você.

O problema é que o livro trilha dois caminhos paradoxais. Por um lado, ele mostrar onde estão os erros e quais são os comportamentos prejudiciais adotados pelas boazinhas. Essa parte é ótima para percebermos onde estamos errando na vida. Mas achei que o livro fosse entrar mais na parte de como você deve trabalhar seu pensamento para se tornar poderosa de verdade, se amar mais e ser feliz. Mas aí ele segue outro rumo e foca em como você deve agir para demonstrar para o homem que você é poderosa e assim ele se interessar por você. A autora basicamente fala que você deve ser poderosa (de verdade ou fingindo) com o objetivo de conquistar o cara. O foco não é você ser uma pessoa melhor, e sim conquistar um homem.

Além do motivo da mudança ser equivocado, é muito contraditório. Ao mesmo tempo em que a autora prega que as mulheres devem ser independentes e seguir suas vontades, ela dita regras como “não transar antes de um mês para ele te valorizar”, “deixar ele fazer coisas que você poderia fazer sozinha para ele se sentir o homem da casa (coisas como abrir um pote de palmito)”, “não reclamar com palavras porque ele não vai te escutar”, “elogiar qualquer feito dele para ele se sentir bem (mesmo que tenha sido só lavar a louça)”, “fazer com que ele sinta que tem o poder e o controle da situação” e mais uma infinidade de joguinhos mentais para que ele pense que manda. Ou seja, ela ensina que as mulheres devem ter autocontrole, fazer joguinhos e calcular todas as suas atitudes para que os homens não deixem de desejá-las.

Me pergunto: cadê o poder, a liberdade e a independência nisso? Ao agir assim, a mulher se torna tão centrada no homem quanto a boazinha, se distanciando do princípio da poderosa que é o foco em si mesma. Devemos mudar e sermos poderosas por nós e não para conquistar ninguém. E lembrando: ser poderosa não significa subjugar o parceiro. As relações devem ser uma parceria, onde ambos têm voz e não um caso de exercício de poder sobre o outro. Para muitas pessoas pode ser difícil aceitar isso já que está entranhado na nossa cultura que o homem é quem manda. Mas a verdade é que ninguém deve mandar em ninguém dentro de um relacionamento. Tanto homens quanto mulheres precisam entender isso.

Resumindo: é um livro para quem procura um guia com regras de como agir para conquistar um cara. Se você quer deixar de ser boazinha por você e se tornar poderosa de verdade, recomendo a leitura do título “A Síndrome da Boazinha”, esse sim focado no crescimento pessoal.

OBS: Um ponto que me incomoda muito é que todos esses livros partem do princípio de que “homem é assim mesmo, nós mulheres que precisamos mudar para conquistá-los”. Os homens estão fazendo tudo certinho? Os homens não podem mudar suas atitudes em prol de um relacionamento melhor?

OBS2: Não é vergonha nenhuma se admitir como boazinha. Eu mesma costumo ser uma. O importante é perceber isso e buscar o caminho para o amor próprio. Podemos ser poderosas 🙂

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